segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Translanguaging

Olá Pessoal,

Na última reunião, Flávia Landucci e Antonieta Megale fizeram uma apresentação sobre translanguaging baseada nos trabalhos de Ofélia García e Canagarajah. Segue abaixo o link para acessar a apresentação em ppt:

Aproveito também para lembrar a todos que em nossa próxima reunião, dia 28 de outubro, experimentaremos um novo formato com pequenas apresentações nas quais profissionais de locais diversos discutirão o tema ou demonstrarão trabalhos a partir da perspectiva adotada em sua instituição. Para falar de práticas na educação infantil teremos profissionais da Play Pen, Sandra Rodrigues da Escola Caminho Aberto, Juliana da Escola FourC e Daisy. Como contaremos com 4 pequenas apresentações, elas devem ter a duração de cerca de 15 minutos para que tenhamos tempo para discussão.
Até mais,
Antonieta


sábado, 10 de setembro de 2011

Documento sobre Funcionamento de Escolas de Educação Bilíngue

Em nossa última reunião, discutimos a necessidade de iniciarmos um trabalho referente a regulamentação das escolas bilíngues. Com essa finalidade, encaminho um documento de 2008 da prefeitura do município de São Paulo acerca do tema. Embora, não seja um documento recente, pode nos ajudar a dar início a essa discussão. Caso alguém tenha documentos mais recentes, seria importante compartilhar.


PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
CONSELHO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO


Protocolo CME nº
18/08
Interessado         
DRE- IPIRANGA
Assunto               
Funcionamento de Escolas de Educação Infantil Bilíngüe
Relatora
Conselheira Maria Lúcia Marcondes Carvalho Vasconcelos
Parecer CME nº
135/08
CEB
Aprovado em
11/12/08
Publicado em
24/12/08 p15

I- RELATÓRIO

  1. Histórico
Em 26/09/08, a Srª Diretora Regional de Educação Ipiranga solicita à Secretaria Municipal de Educação (SME) orientação sobre procedimentos a serem adotados, tendo em vista o questionamento assinado por treze Supervisores Escolares sobre funcionamento de Escolas de Educação Infantil Bilíngüe.
Os Supervisores Escolares informam que, ao analisarem pedidos de autorização de funcionamento das escolas de educação infantil, da iniciativa privada, deparam com projetos pedagógicos e regimentos escolares, com propostas de ensino bilíngüe e com organização variada, como se pode observar:
- Be Living Escola de Educação Infantil: o ensino da segunda língua (inglês) inicia-se para as crianças a partir de 1 ano de idade, sendo que os comandos das professoras são todos em inglês e a “língua portuguesa é utilizada apenas para estudo do folclore e da história do Brasil”;
- Escola de Educação Infantil Plenitude: a segunda língua (inglês) é desenvolvida como atividade complementar, para alunos do período integral, a partir do 3º estágio da educação infantil;
- Colégio Mutsumi: atende crianças de 0 (zero) a 6 anos; todos os comandos das professoras são dados em língua japonesa, cujo estudo inicia-se concomitantemente com a alfabetização da língua portuguesa;
- Akita Kids Academy: atende crianças de 4 meses a 6 anos, sendo que para as crianças a partir dos 3 anos, na proposta pedagógica, em Artes Orientais, há atividades lúdicas: cantigas, dobraduras, pinturas e algumas expressões em língua japonesa; em Inglês: atividades lúdicas, como canções e expressões em inglês.
Tendo em vista que a Lei Federal nº 9.394/06 (LDB), no § 3º do artigo 32, prevê que o ensino fundamental seja ministrado em língua portuguesa, os Supervisores apontam as dúvidas transcritas abaixo, propondo o encaminhamento da consulta ao Conselho Municipal de Educação (CME) :

“1ª As citadas escolas podem denominar-se  escolas bilíngües?
2ª Há necessidade de proporcionalidade na carga horária entre as línguas?
           3ª As professoras devem possuir habilitação específica também em língua  estrangeira, além da habilitação para a docência para a faixa etária atendida?”
Protocolo CME nº 18/08                                              Parecer CME nº 135/08
           Na SME/ATP, a Assistência Técnica desse órgão analisa a matéria e, com base nos dispositivos legais vigentes, ressalta:
- as incumbências do sistema municipal de ensino de estabelecer normas gerais de funcionamento para as escolas públicas e da iniciativa privada, no âmbito de sua competência;
- a definição, pelo Conselho Nacional de Educação, das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, com fundamentos norteadores e orientações curriculares no processo de elaboração da proposta pedagógica de cada escola;
           -  as normas do CME contidas na Indicação CME nº 02/03, no que diz respeito à educação infantil: “A SME é o órgão executivo responsável pela implantação de ações que visam coletar, organizar e sistematizar  os  dados  sobre  a  realidade  das  instituições de educação infantil. A ação dos órgãos de supervisão da SME visam a diagnosticar e a propor alterações e melhorias possíveis a essa realidade, dando respostas precisas aos pais ou responsáveis pelas crianças, que têm direito à informação para decidir sobre o melhor para a educação de seus filhos.”
             Em relação ao assunto em tela, a AT/SME manifesta-se dizendo que ”frente ao crescimento cada vez maior da demanda, várias instituições têm se proposto a oferecer um ensino bilíngüe, objetivando propiciar saberes e costumes atinentes a outras sociedades.”... “Nesse contexto, ao propor o desenvolvimento desse processo, entendemos que cumpre à escola particular estar conduzindo suas atividades sob a perspectiva de possibilitar outros aprendizados, dentro das diretrizes da educação infantil, sem que haja predominância de uma língua e outra, mas visando a ampliação dos conhecimentos e habilidades e em consonância com a proposta pedagógica.”... “Em se tratando de escola particular, pode-se estabelecer o entendimento de que a proposta de ensino bilíngüe em instituições de educação infantil deverá compor o Regimento, Plano de Curso e Proposta Pedagógica para análise e apreciação do órgão de supervisão, nos termos da legislação.”
             No entanto, em face das indagações da Supervisão Escolar, fundamentadas na ausência de critérios definidos para oferta de ensino bilíngüe pelas instituições de educação infantil, a AT/SME propõe o encaminhamento da consulta ao Conselho Municipal de Educação (CME), o que foi acatado pelo Chefe de Gabinete da SME.

  1. Apreciação

A Lei Federal nº 9.394/96 (LDB), ao integrar a educação infantil no âmbito da educação básica, garantiu o direito das crianças e suas famílias ao acesso à educação e estabeleceu como finalidade dessa etapa de ensino a promoção do desenvolvimento integral da criança, complementando a ação da família e da comunidade.
Por sua vez, o Conselho Nacional de Educação instituiu as Diretrizes Nacionais para a Educação Infantil, pela Resolução CNE/CEB nº 01/99,  o Ministério de Educação e Cultura (MEC), editou os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação  Infantil, e  mais  recentemente,  os  Parâmetros Básicos  de  Infra-estrutura

Protocolo CME nº 18/08                                              Parecer CME nº 135/08
para Instituições de Educação Infantil e os Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil.
No âmbito do sistema municipal de ensino, a Deliberação CME nº 01/99 fixou as normas para autorização de funcionamento e supervisão de instituições de educação infantil, sejam públicas ou da iniciativa privada, estabelecendo no § 2º do artigo 12 que o currículo da educação infantil deverá assegurar a formação básica comum, respeitando as diretrizes curriculares nacionais, nos termos do inciso IV do artigo 9º da LDB.
Importante ressaltar que uma das disposições gerais da LDB é a autonomia da escola para formular e executar seu projeto pedagógico.
Com tal balizamento, devem as escolas de educação infantil elaborar seu projeto pedagógico, de forma que as crianças experienciem efetivamente um processo educativo bilíngüe que ofereça ricas situações de aprendizagem, de imersão em um ambiente onde a língua materna e a segunda língua sejam utilizadas como ferramenta na comunicação.
O projeto contemplará, ainda, os conteúdos dos Referencias Curriculares Nacionais de Educação Infantil, de modo a garantir atividades desenvolvidas em Língua Portuguesa e  atividades na segunda língua, sem prejuízo da primeira, de forma prazerosa, lúdica e significativa para a criança, respeitada a sua idade e o seu estágio de desenvolvimento.
Assim, é imprescindível que cada instituição de educação infantil considere a criança em suas especificidades e identifique as necessidades, interesses e expectativas da comunidade escolar.
Destaque-se, ainda, a orientação contida no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (volume 3):
 “O trabalho com a linguagem se constitui um dos eixos básicos na educação infantil, dada sua importância para a formação do sujeito, para a interação com as outras pessoas, na orientação das ações das crianças, na construção de muitos conhecimentos e no desenvolvimento do pensamento. Aprender uma língua não é somente aprender as palavras, mas também os seus significados culturais, e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do seu meio sociocultural entendem, interpretam e representam a realidade.”

Neste expediente, a SME encaminha três questões:

Quanto à primeira questão – “As citadas escolas podem denominar-se escolas bilíngües?”
Saliente-se que a educação bilíngüe deve visar não apenas a competência na comunicação em uma segunda língua, mas também seu conseqüente conhecimento dos significados culturais dos falantes dessa mesma língua, além da aceitação do pluriculturalismo existente em nossa sociedade. Tal encaminhamento, portanto, deve estar claramente estabelecido no Regimento e no Projeto Pedagógico, quando da definição dos objetivos educacionais da escola que  pretende oferecer o ensino bilíngüe.

Protocolo CME nº 18/08                                              Parecer CME nº 135/08
Quanto à segunda questão – “Há necessidade de proporcionalidade na carga horária entre as línguas?”
 Recomenda-se que a carga horária de língua portuguesa seja sempre superior à da língua estrangeira e que esta, para que se caracterize o perfil bilíngüe da instituição, tenha não menos do que 25% da carga horária total.

Finalmente, quanto à terceira questão - “As professoras devem possuir habilitação específica também em língua estrangeira, além da habilitação para a docência para a faixa etária atendida?”
Entende-se que sim; o professor deverá possuir, além da formação para a docência na educação infantil, prevista para o sistema municipal de ensino, licenciatura na língua estrangeira oferecida, uma vez que se busca a qualidade do processo em todos os níveis e modalidades do ensino.

Caberá à Diretoria Regional de Educação, responsável pela supervisão da escola, analisar os pedidos de autorização para funcionamento de escola de educação infantil com processo educativo bilíngüe, zelando pelo cumprimento das normas legais e pelo disposto no presente Parecer. A SME deve encaminhar estas orientações para todas as Diretorias Regionais de Educação.

II - CONCLUSÃO

Responda-se à Diretoria de Educação  IPIRANGA, nos termos do presente Parecer.

São Paulo, 01 de dezembro de 2008.

____________________________________
Consª Maria Lucia M. Carvalho Vasconcelos
Relatora

III - DECISÃO DA CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA
A Câmara de Educação Básica adota como seu, o voto da Relatora.
Presentes os Conselheiros: Antonia Sarah Aziz Rocha, Marcos Mendonça, Maria Lúcia Marcondes Carvalho Vasconcelos, Rui Lopes Teixeira e Ocimar Munhoz Alavarse.
Sala da Câmara de Educação Básica, em 04 de dezembro de 2008.
_______________________________________
Conselheiro Marcos Mendonça
Presidente da CEB
Protocolo CME nº 18/08                                              Parecer CME nº 135/08

IV-DELIBERAÇÃO DO PLENÁRIO
O Conselho Municipal de Educação aprova, por unanimidade, o presente Parecer.
Sala do Plenário, em 11 de dezembro de 2008.
___________________________________________­
Conselheiro João Gualberto de Carvalho Meneses
Presidente do CME


sábado, 3 de setembro de 2011

Translingualismo

Para iniciarmos nossa discussão acerca do tema, registro aqui algumas definições e depoimentos interessantes que me deparei enquanto relia minhas anotações feitas durante o Bilinglatam e pesquisava sobre o tema:

Translingualism is a term from Kellman (2000) and Schwarzer et al. (2006), who see teaching L2 as a bridge between languages that allow one to retain a unified mind and not be cloven into two for the sake of being multilingual.

- Translingualism involves not only a language choice but also the transformation of linguistic and cultural identities, for their worldwiew was now being mediated through a new language. (Kellman, 2004)

- Translingualism involves from the mistery of first hearing a different tongue, the excitement of mastering a foreign language, the impact of a new language on the self of the speaker, the imperalism and its linguistic 
legacy. (Kellman, 2004)

Translingual education: To give students access to an education in English without diminishing their respect for their own or others (Huang, 2010).

Depoimentos extraídos do livro “The Genius of Language: Fifteen Writers Reflect on Their Mother Tongues” de Steven G. Kellman (2004) que relaciona esses escritores ao translingualismo.

“It seems to me that in any other language happiness is not so sweet,    logic is not so clear. I am not sure that I could believe in my    neighbors as I do if I thought about them in un-English words. I    could almost say that my conviction of immortality is bound up with    the English of its promise. And as I am attached to my prejudices,    I must love the English Language!”
Mary Antin, um judeu russo que emigrou para os EUA em 1894

“I had to work like a coal-miner in his pit quarrying all my English sentences out of a black night.”
Joseph Conrad, aprendeu inglês aos 20 anos, depois de aprender polonês e francês.

"Spanish is my right eye, English my left; Yiddish my background and Hebrew my conscience. Or better, each of the four represents a different set of spectacles (nearsight, bifocal, night-reading, etc.) through which the universe is seen."
Ilan Stavans, escritor que escreve em inglês e espanhol

"The Nazis robbed me of my mother tongue, but the rest of the separation, of the violent severing of culture, was my own choice. My writing, my intense drive to become an 'American Writer' had pushed me into leaving the language of my childhood behind, never counting the cost."
Gerda Lerner, uma escritora judia e austríaca

"No words in English have this power, to take me back home to childhood.”
M.J. Fitzgerald, filha do tradutor Robert Fitzgerald que cresceu na Itália

"I am an orphaned writer."
Declarou o escritor Louis Begley, ainda lamentando a perda se uma língua materna, o polonês, quando sua família se mudou para os EUA aos 13 anos

"For me, one language is complementary to the other, one always lacking a capacity that the other has." Shaped by Italy, England, and the U.S, Fitzgerald observes, "I have to live straddling the three cultures I have absorbed.”
Ha-yun Jung, que escreve ficção em inglês, mas recentemente retornou para seu país de origem, Coréia do Norte, e se sente incompleta tanto em inglês quanto em coreano.

Há também o site do professor Suresh Canagarajah - http://www.personal.psu.edu/asc16/ um dos pesquisadores mais significativos acerca do tema.

Por favor, contribuam!

Agenda GEEB para o segundo semestre de 2011

O GEEB - Grupo de Estudos sobre Educação Bilíngue - se reúne mensalmente na PUC/SP sob a orientação da professora Dra. Fernanda Liberali. Nosso grupo tem como objetivo discutir temas relacionados a bilinguismo e educação bilíngue sob perspectivas e linhas teóricas diversas. O grupo é aberto a pesquisadores e profissionais interessados no tema e não há necessidade de filiação à PUC-SP. Em nossa última reunião, contamos com a apresentação do trabalho de Débora Affonso intitulado “Música e Bilinguismo: como a identidade cultural das crianças pode se evidenciar em suas composições musicais”. Nessa reunião, optamos pela utilização de um blog para que pudéssemos trocar ideias acerca dos temas abordados e nos prepararmos para as reuniões seguintes. Segue abaixo nosso cronograma para esse semestre:

Tema
Responsáveis
Datas
Translingualismo – um pouco do Bilinglatam
Flávia Landucci e Antonieta Megale
30/09
Práticas – educação infantil
Experimentaremos um novo formato com pequenas apresentações nas quais profissionais de locais diversos discutirão o tema ou demonstrarão trabalhos a partir da perspectiva adotada em sua instituição. Para falar de práticas na educação infantil teremos profissionais da Play Pen, Sandra Rodrigues da Escola Caminho Aberto e Juliana da Escola FourC.
28/10
Alfabetização
Mesmo formato explicado acima. Para falar de alfabetização/trabalhos relacionados à alfabetização teremos o Bialik e outras instituições a definir.
25/11

Algumas presenças constantes no grupo estavam ausentes em nossa última reunião. Porém, sintam-se a vontade para contribuir nas apresentações de qualquer um dos temas. Para isso, apenas tornem público esse desejo para que possamos adequar o tempo das apresentações/discussões.

Vamos aproveitar esse espaço para trocar experiências e debater!